Gestão de Sala de Aula
8 dicas para usar perguntas em sala de aula (baseado em evidências)
As perguntas são o combustível do conhecimento humano. Num oceano de informações composto tanto de informações mais "letradas" quanto aquelas "cotidianas" que adquirimos na experiência do dia a dia, são as perguntas que orientam a trajetória da nossa "navegação epistemológica" sempre em movimento.
O pesquisador Barak Rosenshine (Universidade de Illinois - EUA), que dedicou 40 anos da sua carreira para pesquisar o modo de trabalhar dos professores mais bem avaliados, afirma que o uso frequente de perguntas é uma marca muito comum entre os professores com melhores resultados.
Como usar perguntas em sua sala de aula?
1. Perguntas como "Alguém tem dúvida?" ou "Vocês entenderam?" não são um bom parâmetro para verificar a aprendizagem. Para questionamentos abertos como esse, é preferível "Você pode me dizer o que você entendeu?", sempre direcionando a um aluno específico.
2. Não deixe perguntas sem resposta nem responda pelos alunos. É natural que assim seja e é parte do nosso trabalho adotar uma postura não desafiadora ao perguntar. Lembre-se que a única intenção dessas perguntas é verificar se aconteceu a aprendizagem.
3. Especialistas recomendam uma frequência em torno de um questionamento a cada 2 ou 3 minutos. Verificar a compreensão continuamente é uma forma de estimular os alunos conectar os conhecimentos apresentados durante a explicação.
4. Busque conseguir 80% de respostas corretas. Para mantê-los engajados na reflexão sobre a pergunta, é fundamental o que Vygotsky chamava de "nível ótimo de desafio" — nem tão difícil a ponto de o aluno não se sentir capaz de realizar nem tão fácil a ponto não representar um desafio.
5. Faça pausas após a pergunta. Quando professores esperam respostas rápidas, estão indiretamente dizendo a seus alunos que não é preciso pensar para construir uma resposta. Há especialistas que recomendam algo entre 3 segundos de pausa.
6. Reações às respostas moderadas e honestas. As pesquisas mostram que bons professores tendem a dar feedbacks mais moderados (evite fazer "festinha" a cada acerto para não comprometer a sua credibilidade com a turma) e não deixam de identificar os erros de modo respeitoso e não pessoal.
7. Varie a dinâmica das perguntas. O professor pode pedir que todos escrevam a resposta para depois mostrá-la aos demais, pedir respostas individuais apontando quem responderá, pode pedir que os alunos comuniquem e justifiquem a resposta ao colega vizinho, resumir a ideia principal em duas frases, levantar a mão se souber a resposta, etc.
8. O nível cognitivo das perguntas deve estar ligado aos objetivos de aprendizagem. Especialistas recomendam 25% de perguntas de alto grau cognitivo, sendo a grande maioria das perguntas demandando níveis baixo ou moderado.
Referências: GAUTHIER et al. "Por uma Teoria da Pedagogia" (2006); GAUTHIER, BISSONNETTE & RICHARD. "Ensino explícito e desempenho dos alunos" (2014); ROSENSHINE, Barak. "Principles of Instruction" (2012).