Quando saber o conteúdo não bastou
Minha relação com a gestão de sala de aula não começou como uma especialização acadêmica. Depois de dois anos lecionando no Colégio de Aplicação da UFRGS, eu já me sentia capaz de planejar e conduzir minhas aulas. Ao entrar na rede municipal de Porto Alegre, no início de 2010, descobri que aquele repertório não era suficiente para todos os contextos.
“Em 2010, os problemas de sala de aula eram tantos que a música ficou para depois. Foi quando encontrei a literatura de gestão de sala de aula.”
Durante aproximadamente um ano, eu mal conseguia desenvolver as aulas. O conteúdo interessava aos alunos, mas isso não bastava para organizar o trabalho coletivo em meio a conflitos, interrupções e situações de violência que atravessavam o cotidiano escolar.
Nos períodos livres, eu costumava percorrer os corredores. Via professoras experientes trabalhando de maneira tranquila com algumas das mesmas turmas diante das quais eu encontrava enormes dificuldades. Aquela observação foi decisiva: havia um saber profissional que eu ainda precisava construir.
A literatura sobre gestão de sala de aula ofereceu conceitos, perguntas e possibilidades de ação. Passei a experimentar algumas delas, observar seus efeitos e reconhecer também seus limites. O que começou como uma crise prática tornou-se objeto do mestrado em Educação da PUC-RS e abriu uma linha de trabalho sobre gestão de sala de aula e disciplina escolar.
Minha trajetória inclui cerca de seis anos e meio de atuação na educação básica, em contextos escolares muito diferentes. Na rede municipal de Porto Alegre, atuei do início de 2010 a meados de 2014. Além disso, trabalho com docência universitária e formação de professores desde 2011. Desde 2016, sou professor do Curso de Música da Universidade Federal do Pampa, em Bagé. Concluí o doutorado em Música na UFRGS e estudei composição na Musikakademie der Stadt Kassel, na Alemanha.
