Ensino

Que tipo de ensino melhor promove aprendizagem na escola? O método mais eficaz já testado

É sabido que os formadores de professores na universidade e os professores na escola costumam ter visões muito diferentes sobre que tipo de ensino "funciona" melhor para ajudar os alunos a aprender.

Em geral, professores universitários costumam valorizar o ensino onde o aluno "assume o protagonismo de sua própria aprendizagem" e se lança numa jornada de "descobertas" onde o professor atua como um "facilitador" em vez de "transmissor" de conhecimentos.

Já o trabalho dos professores nas escolas costuma ser mais centrado no professor que nos interesses e demandas de cada aluno individualmente.

Os dois pontos de vista sobre a melhor forma de ensinar são muito diferentes. Em outras palavras, não é possível que os dois estejam certos.

Sendo assim, com o que sabemos hoje sobre os métodos de ensino mais eficazes, qual dos dois lados está correto ou mais correto? Pedagogia centrada no aluno ou centrada no professor?

A metodologia que tem se mostrado a mais eficiente repetidamente a cada teste que se faz é a pedagogia instrutivista, centrada no professor. Acredita?

Isso mostra o quanto é importante valorizar o conhecimento de quem está na ponta, vivendo o dia a dia no espaço onde o trabalho acontece.

O fato é que, dentro desta perspectiva instrucionista, uma metodologia em particular tem se mostrado a mais eficaz consistentemente ao longo de todos os testes que passou: o ensino explícito.

Como funciona o ensino explícito?

O ensino explícito possui uma dinâmica muito semelhante àquela empregada por muitos professores experientes nas escolas. Inclui três etapas:

Modelagem ("eu faço"): O professor realiza a atividade que deseja que os alunos sejam capazes de realizar "pensando em voz alta" enquanto se dirige à turma. Nesta etapa, o professor se esforça para deixar explícito todo o raciocínio que estiver implícito.

Prática dirigida ("fazemos em conjunto"): Representa o primeiro movimento do professor "tirando a mão" para que o aluno possa ir realizando a atividade com cada vez mais autonomia. O professor verifica a aprendizagem passando tarefas semelhantes e oferecendo feedback. A ideia é que o professor só passe para a terceira fase assim que identificar que os alunos assimilaram ao menos 80% da matéria.

Prática autônoma ("vocês fazem sozinhos"): Nesta fase, o aluno aperfeiçoa sua compreensão através da realização de uma atividade semelhante. É através do oferecimento de múltiplas oportunidades de praticar que se organiza os conhecimentos na memória de longo prazo do aluno.

Análise

Esta metodologia de ensino é muito mais próxima do "senso comum", ou seja, das práticas adotadas por professores nas escolas brasileiras do que das correntes escolanovistas comumente apresentadas nas formações de professores.

Segundo o pesquisador francês radicado no Brasil Bernard Charlot:

"O professor universitário, sem levar em conta as condições em que os professores do ensino básico trabalham, explica que eles devem ser construtivistas. E quando estes perguntam como fazer, o professor universitário brasileiro faz como o seu colega francês: ele diz que não vai dar receitas."

Conforme as pesquisas sobre cognição humana demonstram, a modelagem e a apresentação de modelos nos quais o aluno possa se apoiar possui um efeito muito positivo sobre a aprendizagem.

Formar professores "sem dar receitas" é jogar jovens aspirantes a professor no mar para que aprendam a nadar contando apenas com a sorte. É submeter as crianças a práticas ineficazes, comprometendo o seu futuro.

Para saber mais: "Ensino explícito e desempenho dos alunos: a gestão do aprendizado" dos autores canadenses Clermont Gauthier, Steve Bissonette e Mario Richard.